Oportunidades

Biblioteca Pública desenvolve Projeto Livro Livre E distribui 150 exemplares nos mais inesperados lugares de Três Pontas

Levar o livro até o banco da praça, o ponto de ônibus, a rodoviária, a padaria, o orelhão, a farmácia, aos postos de saúde, ao pronto atendimento. Enfim, deixar o exemplar em alguma parte da Cidade para que alguém o encontre, o leve para casa, leia e, em seguida, volte a libertá-lo, ampliando o acesso.

A ideia colocada em prática exatamente na véspera do Natal está gerando elogios. A iniciativa é assinada pela equipe da Biblioteca Pública Municipal Celso Brant de Três Pontas, com a devida autorização do Prefeito Paulo Luis Rabello (PPS).

De acordo com a Bibliotecária e Coordenadora, Luciene de Oliveira, a Biblioteca tem em média 70 atendimentos diários. O objetivo do Projeto Livro Livre é incentivar e oferecer a oportunidade da leitura justamente às pessoas que não frequentam o espaço por vários motivos, dentre eles, desconhecimento, vergonha, pelo fato de morarem longe do Centro onde está instalada a Biblioteca, falta de tempo para procurar pelo empréstimo e pela ausência do hábito de ler. Acoplado está a motivação para também o compartilhamento. 

Para alcançar o objetivo, foram selecionados aproximadamente 150 exemplares doados à Biblioteca, mas que não pertencem ao patrimônio público municipal. Além de Best Sellers, vários Infanto-Juvenis já foram distribuídos – todos com conteúdo literário de qualidade.

Projeto Livro Livre 5“O Projeto é muito simples. A gente sinaliza o livro, contando para quem vai encontrá-lo que é grátis e que a única condição é que essa pessoa passe para outra depois”, comenta Luciene.

Na opinião da Bibliotecária, o Projeto Livro Livre traz contentamentos para quem está nele envolvido. Primeiro pelo sonho realizado. Ela conta que há tempos mantém o desejo desse compartilhamento. “A possibilidade de alguém – assim, do nada, ganhar um livro e ler – a possibilidade de ganhar um leitor e a perspectiva de contribuir para que alguém cresça intelectualmente são sensacionais. Eu não estou oferecendo um presente, eu é quem estou ganhando o presente”, manifesta a Coordenadora.

Segundo pelo desapego. Por ser um acervo municipal, todos os livros recebem zelo da equipe e os empréstimos – as idas e voltas – são acompanhados bem de perto. Esse cuidar com tamanha responsabilidade resulta na sensação de afeto. O mesmo carinho, diz Luciene, é também desenvolvido pelos exemplares doados e que por um ou outro motivo não integram o acervo da Prefeitura. “Então, saber que eles não retornarão como os demais, nos faz libertar de certas dependências, é uma experiência que nos leva a um crescimento pessoal”, assegura.

Projeto Livro Livre 4Na distribuição, no primeiro momento veio, revela Luciene de Oliveira, o desejo de ficar o tempo todo observando, mas ela resistiu. Colocou os livros no banco de um ponto de ônibus que faz o transporte urbano aqui popularmente chamado de circular, registrou com algumas fotos e partiu rumo a outros lugares. No dia seguinte, voltou e nenhum deles estava onde foram deixados.

Isto porque certas pessoas desconfiaram da ação, até mesmo porque nos dias atuais gentilezas assim são raras, mas logo se aproximaram e entenderam a finalidade. Na rodoviária, um senhor quis devolver o exemplar achando que “a moça tinha esquecido”. Quando soube, aplaudiu o Projeto e aproveitou a oportunidade, afirmando que ficaria com o livro, temporariamente.

Para 2015, a meta é ampliar em pelo menos 10% o fluxo na Biblioteca e a Coordenadora já estuda meios de “ensinar o caminho” para esses trespontanos que tiveram acesso à primeira, de quem sabe, uma série do Livro Livre. 

 

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Arlene Brito

Arlene Brito

Jornalista formada pelo Centro Universitário do Sul de Minas (Unis-MG). Atuou em praticamente todos os órgãos de imprensa de Três Pontas (MG): TV Cidade, Rádio Três Pontas, Jornal Tribuna, Assessoria de Comunicação da Prefeitura Municipal, Jornal Correio Trespontano e agora está à frente do site Sintonizeaqui. Indicada para compor a equipe de assessoria de imprensa do Governo de Minas Gerais (2003/2010), optou por continuar em sua Terra Natal registrando os principais fatos e acontecimentos e, assim, ajudar a escrever a história do Município conhecido internacionalmente como a Capital da Música e do Café.