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Demissões vão acontecer na Santa Casa de TP; medida visa contenção de gastos

Arlene Brito

Hospital de Três Pontas acometido por crise financeira depende de união de esforços

Grave. A situação do Hospital de Três Pontas ainda é grave e não será resolvida em curto prazo. Foi esta a notícia dada na noite de ontem (20) pelo provedor da instituição, Michel Renan Simão Castro. Parcelamento de dívidas, contenção de despesas, cobrança de crédito junto ao Governo de Minas, busca de recursos junto a deputados estaduais e federais, conscientização da necessidade de aumento de repasses por parte dos municípios da região atendidos na Santa Casa e ainda solicitação de auxílio de empresas e da comunidade local estão entre as ações colocadas em prática na tentativa de evitar o fechamento.

Demitir é uma necessidade que “corta o coração da diretoria”, segundo o provedor Michel Renan

De acordo com Michel Renan, embora desagrade a diretoria, uma decisão foi tomada mediante extrema necessidade. Aproximadamente 50 colaboradores de várias áreas, inclusive administrativa, serão demitidos. O desligamento começará nos próximos dias. “Vamos fazer a adequação no quadro de funcionários e esperamos começar outras especialidades para podermos reintroduzir essas pessoas na Santa Casa porque são pessoas formidáveis, diferenciadas”, opinou. Após elogiar os trabalhadores, Michel Renan lembrou que muitos estão lá há 15, 20 anos e que outros se aposentaram na instituição filantrópica. Assim, combateu a ideia pejorativa sobre a empresa Hospital. “Se fosse ruim não trabalhariam ali por tanto tempo”, enalteceu. 

Expectativa é poder recontratar com projetada ampliação de atendimentos

As demissões acontecerão com prudência, segundo o provedor. Ele revelou que as administrações anteriores da Santa Casa não recolheram o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) dos colaboradores. “Não queremos que esses funcionários tenham prejuízo, então, estamos assumindo mais uma responsabilidade”, começou para explicar que em caso de demissões prevalecem os últimos cinco anos, no entanto, a fim de evitar danos financeiros aos trabalhadores, a diretoria inicia um provisionamento de recursos. A intenção é parcelar o pagamento dos acertos das rescisões, respeitando todo o período trabalhado, mesmo que ultrapasse os cinco anos considerados pela Lei, e ainda o FGTS não captado pelos ex-gestores. “Vamos fazer os desligamentos paulatinamente, à medida que tivermos recursos”, completou.

Meio a tantos problemas, o provedor tenta passar otimismo. A ampliação da UTI (Unidade de Terapia Intensiva) e implantação do serviço de Hemodiálise estão nos projetos. Se concretizados, afirma Michel Renan, esses serviços demandarão mão-de-obra especializada, ou seja, abrirão vagas de trabalho, possibilitando a recontratação.

Pela previsão da diretoria, as demissões devem gerar economia mensal em torno de R$ 150 mil. Ele cita que ações de contenção de despesas estão sendo aplicadas diariamente, dentre elas, cortes de celulares e serviços de transporte usados inadequadamente.

13º salário

Balancete dos três primeiros meses da nova gestão foi passado detalhadamente à imprensa

Há pouco mais de três meses, quando o empresário assumiu a direção do Hospital São Francisco de Assis, se deparou – entre muitas outras contas atrasadas – com o não pagamento do 13º salário. Idealizou, com apoio dos demais membros diretores, rifar duas motos que a Santa Casa tinha ganhado de municípios da microrregião. Com a venda dos bilhetes, projetou, quitaria a conta.

Dos R$ 372.218,55 devidos de 13º salário, R$ 271.984,38 já foram pagos, faltando R$ 98.234,17. Não houve privilégios na escolha de quem receberia primeiro, sendo aplicado – na opinião do provedor – o critério mais justo: pagar na frente quem tem menor salário. Os que percebem maior valor e já receberam o 13º salário foram por questões inadiáveis (médicas), conforme disse Michel Renan. “Desde que assumimos, na Santa Casa não tem mais segredo. Todo servidor, todo cidadão pode ir até o nosso RH e constatar o critério e comprovar o que estou dizendo”, convidou.

Na prestação de contas, Michel Renan mostrou que foram vendidas 5.219 rifas, gerando o montante de R$ 130.475,00. O restante usado no pagamento do 13º salário é fruto de doações diversas.

Ajuda passa dos R$ 200 mil, mas ainda é preciso estender as mãos ao Hospital

Ajuda chega de todos os lados… povo solidário

Até o momento, chegaram à Santa Casa R$ 222.147,00. A verba veio de pessoas físicas e jurídicas que realizaram depósitos em contas bancárias ou entregaram o auxílio diretamente no Hospital. Somam-se ainda a rifa (R$ 130.475,00) e a renda proporcionada pelo show da dupla “Maiara e Maraísa” (R$ 70 mil). Em alimentos, medicamentos e produtos de limpeza, as doações totalizam R$ 62.062,09.

Até o momento, algo em torno de R$ 370 mil foi pago nesses últimos três meses, contando com as doações e também com antecipação de subvenção da Prefeitura, no valor de R$ 277 mil. Entre as aplicações estão parte do 13º salário, equipamentos médicos, honorários médicos, compra de tecido para enxoval hospitalar, indenizações trabalhistas, fornecedores e estoque de medicamentos que estava praticamente zerado. Os convênios que não eram pagos há tempos também foram quitados, conforme o balancete apresentado.

Segundo Michel Renan, um trespontano levou até à Santa Casa uma doação de R$ 3, afirmando que era a sobra do mês. Nobre gesto. “As ações não podem paralisar. Temos até o final do ano muita dificuldade. A nossa luta está apenas começando. Vejo que para adequarmos as finanças da Santa Casa levaremos certo tempo. Tomara que esses repasses do Estado normalizem, caso contrário ainda teremos muito sofrimento pela frente”.

Transparência: nenhuma informação será negada a todo cidadão, segundo Michel Renan

Quando assumiu a provedoria, as contas da Santa Casa se aproximavam de R$ 19 milhões. A dívida permanece no mesmo patamar. “Pegamos a dívida e parcelamos no máximo de prazo que poderíamos na tentativa de gerar caixa nesses primeiros meses para conseguirmos administrar”. Michel Renan continua calculando. “Somente em tributos temos uma despesa de R$ 130 mil a R$ 140 mil por mês. Acredito que até dezembro conseguiremos pagar R$ 100 mil do parcelamento anterior. Se conseguirmos pagar isso, teremos uma redução de quase R$ 1,5 milhão de tributos, de isenção mediante esse ajuste tributário. Se conseguirmos cumprir esse parcelamento teremos dois pontos positivos: essa redução de R$ 1,5 milhão de tributos federais e uma redução considerável nas parcelas do ano que vem: invés de R$ 100 mil, pagaremos de R$ 35 mil a R$ 40 mil por mês dessa dívida anterior”.

As informações foram passadas em coletiva de Imprensa, realizada na sede da Associação Comercial de Três Pontas. Na oportunidade, o provedor enfatizou que as diversas medidas que estão sendo tomadas objetivam a equalização do déficit mensal de R$ 400 mil (mais de R$ 5 milhões/ano), a partir do ano que vem.

Juntos podemos mais!

Finalizando, o provedor agradeceu a cada ajuda que tem chegado à Santa Casa de Três Pontas, independente do valor. Reforçou a necessidade dos trespontanos e moradores de cidades vizinhas continuarem dando o voto de confiança à diretoria, aderindo às ações propostas pelo Hospital e sequenciando suas próprias atividades voluntárias colaborativas. Desejou que todos sigam interagindo.

“Obrigado população. Estou à disposição para qualquer esclarecimento. Todo cidadão é dono da Santa Casa”, encerrou o provedor.

Gratidão

Na manhã desta quinta-feira (20), o Hospital São Francisco de Assis enviou um texto de agradecimento a todos, sem exceção, que até o momento colaboraram, evitando o fechamento da instituição. O Sintonizequi compartilha o reconhecimento com a criação de um singelo vídeo, reforçando a parceria. Juntos, somos mais Santa Casa de Três Pontas! 

 

 

 

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Arlene Brito

Arlene Brito

Jornalista formada pelo Centro Universitário do Sul de Minas (Unis-MG). Atuou em praticamente todos os órgãos de imprensa de Três Pontas (MG): TV Cidade, Rádio Três Pontas, Jornal Tribuna, Assessoria de Comunicação da Prefeitura Municipal, Jornal Correio Trespontano e agora está à frente do site Sintonizeaqui. Indicada para compor a equipe de assessoria de imprensa do Governo de Minas Gerais (2003/2010), optou por continuar em sua Terra Natal registrando os principais fatos e acontecimentos e, assim, ajudar a escrever a história do Município conhecido internacionalmente como a Capital da Música e do Café.