Livre AcessoUtilidade

Livre Acesso: Nunca faça essas perguntas para um cego Confira as dicas de Bruno Máximo

Nosso Colaborador: Bruno Máximo

Não é perigoso você sair sozinho na rua? Não tem ninguém que te leve para os lugares?

A vontade é retrucar: “se você fosse andar comigo para cima e para baixo, quanto você cobraria?” Pessoas com deficiência visual aprendem, como qualquer outra, a ter independência, a ter mecanismos de localização e a não precisar de uma babá, um mordomo para tudo.

Depois que se ajuda o cego a atravessar a rua ou livrá-lo de um obstáculo, o ajudante tasca: “Você consegue ir agora?”

Então… pode ter certeza que sim. Um cego não sairia de casa para ficar que nem biruta de aeroporto esperando pelo bater de um vento para levá-lo a algum lugar. Também não é preciso ficar com o coraçãozinho apertado por ter podido “apenas” ajudar a atravessar a rua. A pessoa vai se virar de boa, acredite.

Você sabe para onde está indo?

Essa é de chorar. Dá vontade de responder: “não, hoje sai de casa bem doido, sem rumo, sem bengala e sem o telefone do Samu.”

Quando o cego está com o cão-guia: “Esse cachorrinho é seu?” 

Não, não, estou treinando para trabalhar na carrocinha da prefeitura ou Não. Peguei emprestado do vizinho pra chamar atenção na rua.

Não pode passar a mão no seu cão-guia porque ele morde doído, né?

Embora diante de um raciocínio desse o cachorro deveria, de fato, dar uma bela lambida no interlocutor, não é bem por aí. Evitar o contato com o cão-guia é uma maneira de deixá-lo concentrado no trabalho.

Uma clássica feita por taxistas: “O cachorro vai também?”

Não, ele vai correndo atrás, mas procure não ultrapassar os 20 km/h. Por incrível que pareça, ainda há taxistas que se recusam a levar pessoas cegas com seus cães, o que é uma postura ilegal. O cão é um “instrumento” de acessibilidade e tem permissão de entrar em transportes públicos, restaurantes, lojas etc.

Você toca que instrumento musical?

Não, meu povo, não é porque o Zezinho ou o Joãozinho, que são cegos, são exímios tocadores de piano, que todo cego também tem esse talento. Não tem nada a ver a cegueira com ter habilidade para a música.

É verdade que você consegue ouvir o que acontece a mil metros de distância?

Sim, o Superman me ensinou durante um cursinho de férias. Cegos podem prestar mais atenção em alguns sentidos que os “normais”, como a audição ou o tato, mas ele não tem habilidades especiais, não!

Quando o cego embarca em um ônibus ou metrô: “Você sabe onde entrou?” 

Ser cego não é ser desorientado. Talvez, uma pessoa cega consiga dar uma informação georreferenciada melhor do que qualquer outra…

Como você faz para mexer no computador?

Uma série de tecnologias hoje é capaz de fazer uma pessoa com deficiência visual se virar com a informática. Há desde leitores de tela a ampliadores de letras, passando por softwares que auxiliam em tarefas cotidianas como leitura de valor de cédulas, cores etc.

Nosso colaborador

Bruno Máximo é Vice-Presidente do Conselho Municipal de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência de Três Pontas e Vice-presidente da Associação Trespontana dos Portadores de Deficiência (ATPD)

 

(Imagens: Ilustrativa Net)

Notícia anterior

Seu Direito no Supermercado

Próxima notícia

Trespontanos participantes do concurso ‘Eptv na Escola’ visitam bastidores da emissora

Arlene Brito

Arlene Brito

Jornalista formada pelo Centro Universitário do Sul de Minas (Unis-MG). Atuou em praticamente todos os órgãos de imprensa de Três Pontas (MG): TV Cidade, Rádio Três Pontas, Jornal Tribuna, Assessoria de Comunicação da Prefeitura Municipal, Jornal Correio Trespontano e agora está à frente do site Sintonizeaqui. Indicada para compor a equipe de assessoria de imprensa do Governo de Minas Gerais (2003/2010), optou por continuar em sua Terra Natal registrando os principais fatos e acontecimentos e, assim, ajudar a escrever a história do Município conhecido internacionalmente como a Capital da Música e do Café.