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Músico de Três Pontas grava duas faixas para a novela Sete Vidas, da Rede Globo Alex Tiso, ao saxofone, embala as cenas do casal Lígia e Vicente e ainda vai marcar a trajetória da jornalista interpretada por Débora Bloch

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Na Globo – Músico trespontano, Alex Tiso, em visita à emissora para os primeiros contatos sobre a gravação musical para a novela Sete Vidas

No dia 9 de março estreou a novela Sete Vidas, na TV Globo. E se o telespectador trespontano já estava atento à nova trama, escrita por Lícia Manzo, com certeza ficará ainda mais antenado depois de uma notícia que enche a Cidade de orgulho.

O romance de Lígia (Débora Bloch) e Vicente (Angelo Antonio) desde o sábado (14) é embalado por uma trilha sonora suave, chamada Sweet Dreams. A cada exibição, além dos atores e seus respectivos personagens, outro profissional adentra a casa de milhares de pessoas daqui e do Brasil inteiro. Ele não pode ser visto, mas começa a ser admirado, mesmo que inconscientemente. O talento deste artista complementa as cenas do casal, sendo também capaz de prender os olhos na telinha, de manter os ouvidos atentos e de mexer com a emoção de quem acompanha a trama das 18 horas.

Alex Tiso, Músico e Professor, 46 anos, nascido em Três Pontas, Sul de Minas Gerais, foi quem gravou a composição de Nani Palmeira, ao saxofone. O resultado agradou tanto que o Diretor Jayme Monjardim pediu que o trespontano gravasse mais uma faixa, a que marcará durante a novela a jornalista interpretada por Débora Bloch. A música tem o mesmo nome da personagem, Lígia (Tom Jobim).

Com o carisma e atenção de sempre, Alex Tiso recebeu em sua casa, no Centro de Três Pontas, o Sintonizeaqui e contou com exclusividade e em detalhes toda essa história. Segundo ele, uma oportunidade importante para a sua carreira e que vem coroar os 40 anos de dedicação ao que mais gosta: tocar.

Alex Tiso Músico e Professor Três Pontas 1Entrevista

Alex Tiso 

Músico e Professor

Alex, como começou toda essa história? Como Nani Palmeira chegou até você?

Eu conheço o trabalho do Nani como músico e produtor musical há um bom tempo. Novelas, filmes do Didi, Criança Esperança e outros eventos da Rede Globo já levaram e ainda levam a assinatura dele, alguns desses trabalhos em parceria. Além disso, temos um vínculo familiar. O Nani é casado com a Violinista, Daiana Mazza, que é daqui de Três Pontas, minha cunhada.

Vocês já tinham trabalhado juntos?

Em 2013, eu coproduzi com o Nani, autor dessa música e que hoje é o produtor musical da novela Sete Vidas, o disco Minas de Minas que tem a Daiana Mazza ao violino, a Marly minha esposa ao piano e também a voz de Vivian. À época, a Daiana namorava o Nani e foi ele o responsável pela produção musical desse trabalho. Hoje Daiana e Nani são casados. De lá pra cá começou um contato musicalmente maior entre a gente. Eu já conhecia o trabalho dele e ele foi também conhecendo o meu trabalho.

E agora, como surgiu o convite para a gravação de Sweet Dreams?

Nós fomos visitá-los no Rio de Janeiro e o Nani me disse que estava pegando uma novela e que já tinha umas coisas em mente. Ele me contou que iria produzir com Jayme Monjardim e enfatizou que o Jayme gosta de música instrumental e do estilo que eu toco. Então, me perguntou, você topa gravar? Eu respondi ‘na hora’ e perguntei quando seria. O Nani respondeu, hoje, te passo a música. É claro que levei o maior susto, mas na mesma tarde começamos a trabalhar e gravei a música no estúdio dele.

O resultado foi bom, né, porque você gravou mais uma faixa para a mesma novela?!

Então, logo depois, o Nani levou a trilha para o Monjardim aprovar e ele ficou encantado. Fico lisonjeado com as palavras do Diretor. Ele disse que nunca tinha visto som tão legal de saxofone, um som que se identificou com ele e com a novela. Aí, pediu para que eu gravasse mais uma faixa que foi Lígia (Tom Jobim), tema específico da Débora Bloch.

Como você se sente tendo a aprovação desses dois grandes profissionais e ainda por estar na trama de uma das maiores emissoras de televisão do País?

Tudo isso está sendo maravilhoso. Acho que ainda não caiu a ficha verdadeiramente… Bom, quando eu penso em músico como sou, na região, como professor é uma dimensão. Agora quando penso que vou entrar na casa das pessoas todos os dias – que sejam 5, 10, 20 segundos, durante pelo menos quatro meses, no Brasil inteiro e até no mundo porque hoje a transmissão de novelas é via site, depois Sete Vidas poderá ser vendida para outros países – é uma dimensão que às vezes não consigo mensurar. Mas sei que é muito interessante e muito importante para minha carreira. Sei que essas gravações vêm coroar esses anos todos que trabalho com música honestamente, fazendo aquilo que eu gosto dentro daquilo que eu gosto.

Há quanto tempo?

São 40 anos, comecei aos seis.

Com toda bagagem, inclusive de palco, veio aquele friozinho na barriga durante as gravações para a novela?

Nervoso? Senti. Foi uma mistura de nervosismo e emoção.  A cada trabalho que eu faço isso é sempre presente. O dia que o músico perder esse nervosismo e a paixão pelo palco, pela luz, pelo microfone não terá outra coisa a fazer a não ser largar mão, desistir. A cada nota que dou sinto essa emoção e esse frio na barriga.

Na gravação lá no Rio foi emocionante por eu estar pensando na dimensão que esse trabalho vai dar embora simples porque é música de fundo, mas é uma porta que está se abrindo; pode ser que eu consiga outros trabalhos com isso, pode ser que não, mas é outra vertente do meu trabalho.

A segunda música, Lígia, você gravou também no Rio?

A segunda música gravei no meu home estúdio. O Nani mandou a base pronta, gravei, mandei e ele masterizou e mixou lá.

Alex, você acompanhou a primeira exibição que foi no dia 14 de março ou está vendo a novela e tendo a oportunidade de também curtir esse trabalho daqui como telespectador?

Vi o dia da estreia da música e tenho acompanhado, sim, sempre que possível. Olha, dá um arrepio mesmo. É muito interessante, dá vontade de sair gritando assim ‘gente, sou eu que estou tocando’ [risos]. É uma emoção muito grande saber que o meu trabalho está sendo transmitido para um monte de pessoas.

O que você diz dessa oportunidade cair justamente para Alex Tiso?

Bom, sinto gratidão. Primeiro, sou grato a Deus por ter me dado esse dom. Segundo, sou grato por ter conhecido todas essas pessoas que me rodeiam musicalmente e familiarmente. Esse laço todo é que vai coroando, é a música com amizade que dá esse resultado.

Você vê esse trabalho para a Rede Globo como um peso para a nossa cidade, Três Pontas, que já tem fama de berço de talentos especialmente na música?

Claro. Temos hoje na música em Três Pontas, além dos grandes Milton Nascimento e Wagner Tiso, infinitos talentos dentro do sucesso e nascendo. Posso citar os meninos que gravaram com Milton, posso citar Bruno Cabral… nossa são tantos. Temos muitos talentos também no teatro, na dança, na pintura.

Três Pontas é realmente um celeiro de arte e eu poder contribuir com isso na música só me leva ao agradecimento à própria Três Pontas por ter me dado essa oportunidade. Nasci aqui, estou produzindo coisas aqui, enfim, o meu trabalho produz para mim e para a cidade também. Acho muito importante eu estar produzindo isso e isso estar refletindo para Três Pontas.

O que você diria, então, para os músicos daqui, principalmente, para quem está começando a trilhar esse caminho?

Muitas vezes converso com pais e, embora eles reconheçam o talento dos filhos, afirmam que não deixarão esses meninos e meninas serem músicos. Eu vivo de música e digo que viver de música é possível, sim, e que não é só ganhar dinheiro, é também o seu interior viver de música.

Aqui, ao lado da minha casa, existia uma clínica médica. Quando o pessoal se preparava para mudar de endereço me falou, ‘olha, Alex, o que mais vamos sentir ao sair daqui será a falta dos ensaios de vocês’. Olha que interessante, eles estavam lá trabalhando e ouviam, eu não ganhei nenhum centavo com isso, mas saber foi prazeroso, eu ganhei a emoção das pessoas e isso é valioso. Através dessa emoção vão surgindo os trabalhos que vão me mantendo. Isso é um incentivo para pensar que a música pode trazer outros benefícios que não só os financeiros.

Então, digo que pensem a música para eles interior. Depois, as pessoas vão se identificar e as oportunidades vão surgir.

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Alex Tiso com a esposa Marly e com os filhos Elis e Matheus na cerimônia de conclusão do Licenciamento em Música pelo Unis MG

Considerações finais.

Recentemente fui Licenciado em Música, graduação feita pelo Unis, onde já estou trabalhando. Dou aulas há 24 anos e, através dessa Licenciatura, agora trabalho também no ambiente acadêmico, começando como tutor. Provavelmente, mais adiante, serei um professor acadêmico.

Acho que 2014-2015 realmente vieram para coroar os meus 40 anos de música. É aproveitar, continuar me dedicando e agradecer, sempre porque a emoção é ímpar. Obrigado!

Abaixo, está o link da cena da novela Sete Vidas que foi ao ar pela TV Globo no sábado, 14 de março, estreia da primeira música – Sweet Dreams (Nani Palmeira) – gravada por Alex Tiso para a trama. 

http://gshow.globo.com/…/vicente-convida-ligia-par…/4035658

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Arlene Brito

Arlene Brito

Jornalista formada pelo Centro Universitário do Sul de Minas (Unis-MG). Atuou em praticamente todos os órgãos de imprensa de Três Pontas (MG): TV Cidade, Rádio Três Pontas, Jornal Tribuna, Assessoria de Comunicação da Prefeitura Municipal, Jornal Correio Trespontano e agora está à frente do site Sintonizeaqui. Indicada para compor a equipe de assessoria de imprensa do Governo de Minas Gerais (2003/2010), optou por continuar em sua Terra Natal registrando os principais fatos e acontecimentos e, assim, ajudar a escrever a história do Município conhecido internacionalmente como a Capital da Música e do Café.