Qualidade de Vida / Saúde

Os panos de prato da Vó Cida

Dona Aparecida passa pelo menos três horas por dia se dedicando à pintura de panos de prato – trabalho manual ajudou na recuperação da coordenação motora e da autoestima

Dona Aparecida passa pelo menos três horas por dia se dedicando à pintura de panos de prato – trabalho manual ajudou na recuperação da coordenação motora e da autoestima

Dona Aparecida faz bicos ou barrados de crochê em cada um dos panos de prato; depois pinta e presenteia com eles os familiares

Dona Aparecida faz bicos ou barrados de crochê em cada um dos panos de prato; depois pinta e presenteia com eles os familiares

 

Em setembro passado, Maria Aparecida de Oliveira ganhou de sua filha, Sirlene, alguns panos de prato riscados. O presente de aniversário veio acompanhado de linhas, agulhas e do propósito de, através do bordado, trabalhar a mente e a coordenação motora da senhora que completava 78 anos. A volta à atividade que durante muito tempo fez parte da rotina de dona Aparecida apresentou resultado imediato e lá se foi o tremor das mãos que já se instalava, preocupando a família.

Meses depois, mais precisamente em janeiro, Sirlene chegou com outros panos, mas no lugar das linhas e agulhas trouxe tintas e pincéis. “A senhora vai agora aprender a pintar”, propôs. Dona Aparecida não resistiu à ideia e foi desvendando a arte da pintura em tecido sem dificuldades.

Preparar o almoço, lavar as louças e ajudar outra filha, Consolação, na fabricação caseira de queijos é rotina diária. Depois disso vêm as orações, um rápido descanso e, por volta das cinco horas, dona Aparecida retorna à cozinha para se dedicar aos panos de prato. Existe um ritual. Primeiro ela faz bicos e barrados de crochê em todo o “estoque”. O passo seguinte é a pintura que se estende até 8, 9 horas da noite. “Eu gosto muito. Não fico mais pensando em problemas, me concentro na pintura e pronto! Acho melhor pintar do que ver jornal e novela”, conta. Ela explica ainda que a autoestima mais elevada, mente mais tranquila – portanto menos estresse e até o aumento da atenção – estão entre os benefícios que, percebe, são trazidos pela nova ocupação.

Devidamente passados a ferro os panos de prato pintados à mão vão para o guarda-roupa. De lá saem para a casa das filhas, da nora, dos netos, de alguns amigos que aparecem para uma visita. Ela dá a liberdade de cada um escolher o seu. O único problema é que a artista está cada vez mais rápida, a produção está aumentando e ela parece não concordar em colocar os produtos à venda. Quando alguém toca no assunto comercialização, simpática e meiga, dona Aparecida dá boas risadas e se silencia, deixando uma doce dúvida no ar… A única certeza é que todos à sua volta se orgulham quando ela, pacientemente, abre cada um dos panos de prato e apresenta neles a sua criatividade, capricho e destreza.

A senhora que descobriu na arte da pintura em tecido mais bem estar mora em Campo do Meio e os materiais são adquiridos nas cidades vizinhas de Alfenas e Três Pontas.

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