Na Câmara, provedor Michel Renan fala sobre os primeiros 15 dias de gestão à frente do PAM
Em reunião na noite da segunda-feira (15), a Câmara Municipal de Três Pontas recebeu o provedor e gestor da Santa Casa de Misericórdia – Hospital São Francisco de Assis e do Pronto Atendimento Municipal (PAM), Michel Renan Simão Castro. O administrador fez uso da tribuna para esclarecimentos sobre sua atual gestão à frente do PAM. A vice-provedora, Alessandra Diniz Pereira Miranda, esteve presente no Plenário.

15 dias de gestão
Em sua explanação, Michel abordou a primeira quinzena de gestão do PAM, antes sob responsabilidade do Município. O convidado apresentou dados e números importantes. “Estamos nestes primeiros dias fazendo diagnósticos quanto ao PAM, aprendendo e nos dedicando ao máximo para que possamos realizar um trabalho esplêndido para toda a população”, iniciou o provedor.
Com uma média de 280 atendimentos por dia, o atual gestor do Pronto Atendimento, enfatizou que a conscientização é preponderante. “Temos que entender que, com 300 pessoas diariamente lá, nós não vamos conseguir atendimento em 5, 10, 20 minutos. Então, o caso do PAM hoje não é somente melhorar a estrutura, melhorar os processos, mas vai precisar ter uma conscientização. Conscientização essa que começa com atendimento de urgência e emergência e que precisa ser contra-referenciado pelo especialista”.
Na visão de Michel Renan, o PAM pode realizar um trabalho inicial, no entanto, analisa o gestor, é fundamental que o paciente passe por uma consulta com especialista no segundo momento. Mais do que isso, não havendo necessidade do paciente estar no PAM, o mesmo já estará contribuindo para a melhoria dos serviços e demonstrando empatia com quem realmente precisa do pronto atendimento. “Isto é, essa conscientização se faz fundamental”, reforçou.
Atualmente o PAM possui dois médicos que atendem as fichas e um emergencista que tem por finalidade estar disponível para um paciente de urgência e ainda para observação dos leitos de emergência e de pacientes que aguardam a internação.

Números da 1ª Quinzena
Entre os dados detalhados por Michel Renan, destacam-se alguns tópicos, tais como Classificação de Risco e Atendimento por Horário.
Classificação de risco: confira alguns dados
0,2% – Risco de Morte (o paciente não é triado, já entra automaticamente)
3,33% – Pode ser atendido em até 10 minutos desde o processo de triagem
3,73% – Não Triados
21,42% – Atendimento em até 1h (baixo risco)
66,95% – Atendimento em até 2h (baixo risco)
TOTAL: 3.510 atendimentos

Atendimento por horário
Dentro do tema envolvendo horários, o que chama atenção é o período entre 18h e 19h, no qual é atendido um maior número de pacientes. Segundo Michel, ter esse diagnóstico é importante para criar um plano com o objetivo de ser mais rápido, como por exemplo, providenciando mais um médico para o atendimento nesse período.
Além disso, sobre os números, a faixa etária mais atendida é acima dos 60 anos, cerca de 17,05%. Outro tópico relevante citado pelo gestor do PAM é o Tempo de Atendimento, ou seja, hora que chegou, quanto tempo de atendimento, que horas saiu. Após esses registros, é analisado se o tempo foi o ideal, se o tempo de espera é adequado, inclusive, para avaliar os profissionais.

Quanto à avaliação de profissionais, ela é propositiva na visão de Michel Renan. Essa métrica já é feita na Santa Casa e, acima de 60%, é um percentual aceitável. Quando existem críticas e reclamações, é seguida uma escala: primeira vez é chamada atenção, na segunda vez novamente o profissional é comunicado, e no terceiro momento não pode permanecer.
Michel destacou que diante desses diagnósticos é possível começar a trabalhar estratégias e medidas a serem tomadas.

Questões estruturais
Um tema explicado por Michel Renan em suas explanações foi a estrutura. Em síntese, algumas mudanças serão feitas para melhorar os fluxos de atendimento dentro do PAM. Um exemplo citado pelo provedor é a baia (ao lado da Capela); naquele local será a entrada de emergência. Além dessa adequação, outras serão feitas, como exemplificou Michel citando a questão dos detentos. Eles serão atendidos em outro espaço. A medida visa principalmente a segurança e até mesmo certo conforto para esses pacientes e para quem espera ou já está em atendimento.
Ainda sobre estrutura, Michel dissertou sobre dois assuntos, Pediatria e Ambulância.
Sobre a Pediatria, o provedor explicou que, antes, quase 100% dos atendimentos eram medicados, hoje não passa de 5% pelo fato de que são contra-referenciados para uma Unidade de Saúde quando necessário. Outro ponto, o profissional pediatra é raro e portando caro. Segundo Michel, “nós temos o pensamento de estender de 6h da manhã até meia-noite. Isso será estudado e apresentado para a Prefeitura ainda. É estatístico, quantas crianças são atendidas de 19h à meia-noite? Cinco, seis, oito, justifica? As vezes é um custo muito elevado e o índice de satisfação do Centro Pediátrico ultrapassa 97%”, informou o administrador.
Ademais, para se ter uma base, Michel explicou que o pediatra para fazer 40 horas custava R$ 20 mil, seria gasto com três profissionais cerca de R$ 180 mil em 120 horas. Hoje o custo é R$ 90 mil a R$ 100 mil com 300 horas. Isto é, saíram de 120 para 300 horas com metade do preço. De acordo com o provedor, isso é maximizar o potencial do recurso.
Para finalizar, Michel Renan explicou sobre o uso da ambulância. “Se nós fossemos hoje em Belo Horizonte para articular a aquisição de uma ambulância, sabe qual seria a primeira pergunta que eles fariam? Vocês têm os números? Não, mas agora nós teremos. Porque com os relatórios, nós apresentaremos os números de quantos pacientes são de emergência e aí nós teremos um diagnóstico”, iniciou sua explicação.
Especificamente sobre Ambulância Branca, Michel foi contundente. O provedor informou que a finalidade da ambulância branca é conduzir o paciente depois de ser atendido. “A ambulância não está preparada para buscar pacientes, pois precisa de todo aparato e equipamento e principalmente porque às vezes ao buscar o paciente em casa, o mesmo pode sofrer uma piora, apresentando quadro mais crítico que requer habilidades e recursos específicos”. Em resumo, a Ambulância Branca, tipo A, é destinada ao transporte horizontal de pacientes que não apresentam risco iminente.
Ao final, o presidente da Câmara, Myller Bueno de Andrade, agradeceu a presteza de Michel Renan e todos os vereadores de pé, aplaudiram o provedor pelo trabalho e transparência.
(Com informações da Ascom da CMTP)
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