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8 de Março – Dia Internacional da Mulher: Mulher, no seu lugar!

Por Luciana de Sousa Martins

As estatísticas, por mais atrozes que sejam, infelizmente ainda estão longe de representar a disparidade verificada, na realidade, entre homens e mulheres.

Os números podem até nos assustar, mas o silêncio, o calar cotidiano, a perda social do lugar de fala, situações enfrentadas por mulheres nos mais diversos lugares e ocasiões deveriam nos envergonhar!

Infelizmente, também persiste a velada consideração da mulher a partir da vitimização, impingindo-lhe culpas históricas e injustas, o que faz com que a mulher seja identificada por suas carências e não por suas potencialidades.

Ser mulher em tais contextos requer doses diárias de encorajamento e força. Exige o compromisso pessoal com a realização, prescindindo empenho dobrado para superar não só os obstáculos naturais próprios das buscas, como também as barreiras impostas por visões nada empáticas nem construtivas.

As diferenças biológicas, psicológicas e afetivas que distinguem a mulher como ser humano e ponto de equilíbrio, são exatamente as justificativas para considerá-la subserviente, apta apenas à lida doméstica e desprovida de condições de fazer, com liberdade, suas escolhas.

Sim, lamentavelmente ainda é assim!

Diante de retóricas e comportamentos tão restritivos, a luta por espaços, hoje, deverá transpor a promoção de acessos, para se situar na consideração da mulher como merecedora do espaço que gere por sua capacidade, lutas, peculiaridades e não somente por se adequar ao percentual representativo que lhe é reservado.

É certo que avanços são sempre significativos, mas as conquistas da mulher deveriam ser degraus para as realizações pessoais buscadas e não vanglória ou bandeira partidária por conferir à mulher cotas mínimas, que restringem a sua voz, limitam seu espaço e lhe impõe a condição de minoria “por decreto”.

O conformismo não pode mais tomar o lugar de nossa inteligência!

Assim, será que nós, mulheres, sabemos o nosso lugar? Como mães e esposas (ou não), no trabalho, na rua, no lazer, no desenvolvimento do potencial pessoal, nas escolhas livres (e libertárias), o lugar da mulher não é uma definição historicamente estática ou geograficamente limítrofe, muito menos será um lugar de reserva, a sobra que a exclusão nos permite…

O lugar da mulher deve residir na vontade e na liberdade de ser e (re) florescer, na consciência de que direitos não são favores graciosos, exigindo, urgentemente, que nós mulheres passemos a acreditar e a nos comprometer com essa verdade!


Luciana de Sousa Martins é esposa e mãe, advogada, ex-presidente da 55ª Subseção da OAB (primeira mulher eleita na Comarca). Atualmente é a única mulher na composição da Procuradoria-Geral do Município de Três Pontas.

 

 

 

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