Corpo de Bombeiros de Varginha promove curso de abordagem técnica à tentativa de suicídio
Arlene Brito
Bombeiros e policiais militares, socorristas do Samu, militares do Exército, agentes penitenciários e psicólogos do Sul de Minas compõem a primeira turma no estado a participar, nesta semana, de um curso ministrado pelo 9º Batalhão do Corpo de Bombeiros Militares (CBMMG) em Varginha e que trata de um assunto bastante delicado: a abordagem técnica à tentativa de suicídio.

O curso foi idealizado pelo capitão Diógenes Martins Munhoz, especialista em atendimento à tentativa de suicídio, que atua há 18 anos no Corpo de Bombeiros da Polícia Militar do Estado de São Paulo. Segundo ele, “nenhum ser humano quer morrer, nem mesmo o tentante ao suicídio. Procurar a morte é a última forma que ele achou de pedir socorro e cabe a nós, sociedade como um todo, escutar e ajudar”. Sendo assim, a capacitação que se tornou referência em todo o Brasil enfoca as técnicas utilizadas durante um atendimento, ressaltando sempre o respeito que o profissional de emergência deve ter com a vítima.
O curso no Batalhão dos Bombeiros de Varginha se estende até sexta-feira (14).
- Atendimento humanizado é foco do curso que acontece em Varginha (Fotos: CBMMG)
Estatística – Minas Gerais: média de três casos por dia
No ano passado, Minas Gerais registrou 1.425 autoextermínios contra 1.245 em 2016, um aumento de 14,4%. Em 2018, ainda conforme a Secretaria de Estado de Saúde (SES), entre 1º de janeiro e 17 de agosto, 595 pessoas tiraram a própria vida no estado, uma média de quase três casos por dia.

Para especialistas, o ditado “cão que ladra não morde” não deve ser aplicado às pessoas que anunciam o desejo de autoextermínio. Esses especialistas defendem que falar sobre o assunto é uma forma de tratar várias doenças, por exemplo, depressão e esquizofrenia, que na maioria dos casos não cuidados terminam em suicídio. Em 2015, o Ministério da Saúde (MS) criou a campanha “Setembro Amarelo” com o objetivo de fomentar o diálogo sobre o assunto.







