Mulheres de Três Pontas propagam a Justiça Restaurativa durante Encontro de Inspetores Escolares da SRE de Varginha
Arlene Brito

Embalado pela voz de Mayara Blanco e violões de Adilson Ferreira e Felipe Batiston – professores do Conservatório Estadual de Música “Maestro Marciliano Braga” – o público foi recebido para, pouco depois, descobrir ou conhecer um pouco mais sobre o assunto principal do dia e entender que a Justiça Restaurativa oferece a oportunidade de transformação.
Para abrir os trabalhos técnicos de reflexão, foi convidada Ana Gabriela Brito Melo Rocha, titular da 3ª Promotoria de Justiça de Três Pontas. “É realmente uma honra estar aqui e ser recebida ao som de Geraldo Vandré, que fala de paz e futuro. E eu acho que a Justiça Restaurativa caminha muito para isso…”, começou.
No primeiro momento, Dra. Ana Gabriela explicou que em Minas Gerais 23 promotores de Justiça de diferentes comarcas, em março, tornaram-se facilitadores de Círculos de Justiça Restaurativa e de Construção de Paz. Em maio deste ano, 25 profissionais ligados à área da educação em Três Pontas foram capacitados e passaram a aplicar a teoria, as técnicas e dinâmicas de grupo trazendo novas perspectivas para resolver e até prevenir conflitos em diversos âmbitos, dentre eles o escolar. “É um método possível em atividades pedagógicas e também nas cotidianas. As pessoas se reúnem para decidir”, salientou.

A promotora, que entre outras atribuições atua na defesa da educação e dos direitos de crianças e idosos, é membra fundadora do “Coletivo por um Ministério Público Transformador” e integrante do movimento “Elas pelo Ministério Público de Minas Gerais”, fez um paralelo. Então, opinou que na Justiça Tradicional a resolução dos conflitos acontece sob análise das informações do processo, das determinações da legislação, enquanto que na Justiça Restaurativa – que tem como principal base o diálogo estruturado – as decisões são construídas democraticamente pelos interessados e observam as pessoas, considerando seus valores, seus sentimentos e suas necessidades.
Vivências

A prática do Círculo de Justiça Restaurativa e de Construção de Paz no ambiente de trabalho também obteve êxito. Segundo Dálete, “na Escola Municipal ‘Professor João de Abreu Salgado’ os colegas tiveram a oportunidade de participar de forma ativa e os resultados foram muito positivos”.

Ainda segundo Glória, a violência é uma realidade que se quer combater a qualquer preço, no entanto, a Justiça Restaurativa ensina a ver o mundo com outras lentes e outras mentes, levando os profissionais a assumir uma postura restaurativa no dia a dia dos ambientes escolares. “Enquanto facilitadora do Programa Justiça Restaurativa posso afirmar que surgiu em minha vida profissional uma luz, não no fim do túnel e sim, uma luz em nós mesmos. O que podemos fazer dentro de um coletivo para pensar em soluções de conflitos e violência nas escolas? Com a utilização das metodologias pertinentes à Justiça Restaurativa nas escolas é possível almejar o rompimento desse ciclo de violência e restaurar os alunos para o convívio social e escolar sem a necessidade de aplicação de medidas de caráter meramente punitivo”, conclui.
O II Encontro de Inspetores Escolares da SRE de Varginha foi encerrado na sexta-feira (28), após apresentação cultural, homenagem à Inspeção Escolar e a palestra “As implicações da BNCC para os conteúdos escolares” ministrada pela doutora em Educação, Helena Maria dos Santos Felício.
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