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2020: Um bom ano para a cafeicultura brasileira

Produtores comemoram a safra brasileira de café, que fica marcada por sua qualidade e bons preços. Cooperativas se mostram preparadas e dão conta de receber e dar vazão aos cafés vendidos. 


É notável que 2020 foi um grande ano para a cafeicultura, consequência de produtores mais preparados e capacitados e cooperativas seguras e muito profissionais. Quem afirma isso é Marco Valério Araújo Brito, presidente da Cooperativa Central de Cafeicultores e Agropecuaristas de Minas Gerais (Coccamig).  

“2020 foi um ano muito bom, com a safra do tamanho esperado para um ano de bienalidade positiva e também em decorrência de o produtor estar cada vez mais dedicado e mais profissional, preocupando-se com custos, eficácia operacional e qualidade, que são agregadores de valor. Aliadas a eles estão as cooperativas, que vêm demostrando muito profissionalismo nos serviços prestados a esses produtores. Cada vez mais seguras, as cooperativas estavam muito bem planejadas para a safra, que correu dentro da expectativa”, afirma Marco Valério. 

Marco Valério, presidente da Coccamig, analisa que 2020 tem sido um grande ano para a cafeicultura brasileira graças aos “produtores mais preparados e capacitados e cooperativas seguras e muito profissionais”

Safra mais curta e cooperativas bem preparadas 

Em relação à safra, é importante ressaltar que durante o ano, as chuvas ocorreram na hora certa e o clima seco no inverno permitiu que fosse realizada uma colheita perfeita, com cafés de qualidade, sem intercorrências e de forma bastante ágil, encurtando o período da safra, o que acabou gerando uma antecipação do recebimento de café por parte das cooperativas.  

Sobre a alegação de alguns, que defendem um grande estoque nas cooperativas, valem alguns esclarecimentos. Um dos pontos de atenção, ainda pouco abordado, é que a mudança da modalidade de armazenagem de sacarias para “bags” reduziu em cerca de 40% a capacidade dos armazéns. Sabendo disso, as cooperativas investiram, expandiram e estavam com logística planejada para uma safra maior e mais curta, o que pode ter contribuído com uma percepção sobre estoques em níveis maiores do que realmente são.   

Além disso, com o dólar e a bolsa operando em alta em plena safra, situação que não acontece normalmente, os preços ficaram atrativos para os produtores, que realizaram grande volume de vendas. Isso exigiu das cooperativas grande agilidade, visto que além de receber café, precisaram realizar as expedições dos cafés vendidos. Os volumes exportados demonstram o avanço logístico construído por elas, que deram conta de atender a todas essas demandas.  

Uma outra questão diz respeito às novas modalidades de comercialização proporcionadas pelas cooperativas, uma vez que além das vendas tradicionais e da exportação, passaram a fazer vendas futuras, como o “barter e o termo. Essa nova dinâmica do mercado está permitindo inclusive uma melhor gestão por parte dos produtores, que ao fazerem vendas futuras e trocas garantem melhores preços e melhores custos nas compras de insumos.  

Na outra ponta, as importadoras solicitaram a antecipação do recebimento do café dos contratos de “barter” e termo firmados e as cooperativas aguardam a retirada desses cafés de seus armazéns. Acontece que a logística para essa retirada está complicada, uma vez que os portos estão trabalhando com um número reduzido de “containers”, há poucos caminhões disponíveis e as péssimas condições das estradas não facilitam o escoamento das cargas. Esse é outro aspecto que pode contribuir para a impressão de um alto estoque nas cooperativas, porém grande parte dos cafés que estão ali já está vendida, esperando apenas para ser retirada. 

Quantidade e qualidade: oportunidade de aumentar fatias de mercado pelo mundo 

Sintetizando, o ano de 2020 foi e será importante para o Brasil. Quantidade e qualidade somadas a preços atrativos são o resumo sob a ótica do produtor. As cooperativas também fizeram a sua parte e diante de uma safra mais curta e de bienalidade alta, foram capazes de receber e dar saída aos cafés de forma ágil e eficiente, mesmo diante de inúmeras dificuldades.  

“O Brasil tem produzido cafés de excelente qualidade. Temos uma cafeicultura de ponta, tanto empresarial quanto familiar, de altíssima produtividade, com produtores muito dedicados e isso faz toda a diferença. O Brasil tem, cada vez mais, sido reconhecido pela qualidade dos cafés que possui, pela diversidade desses cafés, com diferentes regiões produtoras, e tem se destacado nos mais importantes concursos de qualidade do mundo. Tudo isso aliado às responsabilidades econômica, social e ambiental e às mais rígidas leis trabalhistas mundiais, que são todas atendidas pelos produtores. Isso aumenta muito o interesse do mercado externo pelos nossos cafés”, explica o presidente da Coccamig. 

Foi-se a época em que o Brasil era reconhecido apenas pelo volume produzido. Hoje já é notório que o país produz excelentes cafés, com volume, consistência e pontualidade na entrega. Sendo assim, com o constante aumento do consumo, que não diminuiu com a pandemia, o país tem a oportunidade de conquistar “maket share”, fatias de mercado.  Para isso precisa produzir bem e cada vez mais.  

“Precisamos ter orgulho de ter uma cafeicultura competitiva, com os produtores entendendo cada vez mais sobre seus negócios, com tecnologia e pesquisas que os auxiliam a desenvolver suas lavouras e a produzirem cada vez mais e melhor. Um país que produz muito, com qualidade, e que precisa desse volume para ganhar fatias de mercado mundo afora”, avalia Marco Valério.   

(Por Coccamig) 

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