“A partir do momento que a mulher diz não, a vontade dela tem que ser respeitada”

Manifestação mostra repúdio e que advogados estão unidos na luta pelos direitos da mulher
“As mulheres exigem respeito”. “Assédio sexual, mulher a culpa não é sua”. “Basta de violência contra a mulher”. “Nenhuma mulher merece ser estuprada”. “Eu repudio o estupro”. As frases estamparam cartazes empunhados por advogados de Três Pontas. Eles se juntaram na tarde desta sexta-feira (10) para dizer não à violência – com destaque à sexual – crime que tem vitimado física e psicologicamente centenas de mulheres nos grandes centros urbanos, mas também em cidades ditas pacatas como é, por exemplo, Três Pontas.

Embora discreto, o movimento tentou chamar a atenção também dos homens para que eles se conscientizem que a violência sexual é hedionda e que agressões, abusos, desrespeito sejam eliminados, cedendo lugar ao tratar bem as mulheres, sejam esposas, namoradas, mães, filhas, amigas, vizinhas, conhecidas.
Outra meta, explica a Presidente da Comissão, é pedir à Justiça que agilize os processos, que julgue com imparcialidade, mas que olhe para o lado da mulher porque usar roupa curta e decote não é pedir para ser estuprada. “A partir do momento que a mulher diz não, a vontade dela tem que ser respeitada”, alerta a Advogada.
Todos compareceram de preto e o registro do repúdio teve como cenário a fachada do Fórum Dr. Carvalho de Mendonça. A foto será encaminhada à Comissão Estadual da Mulher Advogada e, pelas mãos da Presidente Helena Delamonica, deverá chegar à Brasília. Em março, a Vice-Presidente da OAB/MG foi empossada – em solenidade na Capital Nacional – e se tornou a Vice-Presidente da Comissão Nacional da Mulher Advogada, do Conselho Federal.

Durante o manifesto, um cidadão perguntou: “por que isso? Teve algum caso de estupro aqui?” A resposta é sim, em Três Pontas e em cidades vizinhas. Os estupros coletivos, os abusos seguidos de morte, enfim, as chamadas ocorrências de “maior proporção” geralmente ganham espaço na mídia, chegando ao conhecimento da sociedade. No entanto, a grande maioria dos casos de abuso e de exploração sexuais, de assédio principalmente no trabalho, ou seja, “menores” (se é que o constrangimento e a ferida aberta na vítima podem ser medidos) acontecem acobertados pelo silêncio, pelo medo e pela omissão, então, deixam de ser revelados.
Na opinião de Dra. Juscely é preciso mostrar a realidade também interiorana porque a mulher tem que saber seus direitos e o homem tem que saber que ele não pode fazer isso, que é crime, que é desumano. “Os casos – ‘grandes ou pequenos’ – precisam ser falados, precisam ser veiculados, precisam vir a público para que todos tomem consciência dos seus direitos e dos seus deveres”.

De mãos dadas

“Esperamos que a manifestação promovida pelas advogadas desperte a paz entre nós seres humanos. Ultimamente, as pessoas não estão enxergando no outro um ser humano e menos ainda colocando em prática o humano que deve ser. Estamos de preto contra a violência, mas também para falar da paz que poderíamos estar vivendo no nosso dia a dia”, registrou.
Pela classe, pela comunidade
A Comissão das Advogadas de Três Pontas foi criada logo que a Dra. Luciana Martins assumiu a Subseção, em janeiro. A finalidade, segundo Dra. Juscely, é lutar por melhores condições para a mulher exercer a Advocacia e, através dessa classe, gerar benefícios para toda a comunidade. Democrático, o grupo inclui os homens advogados da Subseção nas propostas. À frente das ações, junto à Presidente, estão as advogadas Eliana Braga, Carol Zanetti e Elaine Vilela.
“O papel da Comissão é educar para os direitos e promover o acesso”, completa a Presidente da 55ª Subseção, Dra. Luciana.

Aproximar a população da OAB é uma das tarefas já colocadas em prática. Outra atividade em andamento, com apoio da Subseção e Fórum, é a Campanha do Agasalho. A Comissão está arrecadando roupas, sapatos e cobertores que serão destinados a pessoas carentes. Quem puder colaborar, pode depositar a doação em caixas dispostas no salão de entrada do Fórum ou na sede da OAB trespontana. Ambos ficam na Travessa 25 de Dezembro, Centro.
“A Dra. Eliana Braga e a Dra. Carol Zanetti lideram um trabalho voltado às reeducandas do Presídio de Três Pontas. A Comissão pretende eliminar a ociosidade no meio delas”, registra Dra. Juscely, reforçando que a Mulher Advogada de Três Pontas “está com as mãos na massa”.



