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Associação Comercial e Cocatrel incentivam investimento na melhoria da qualidade, visando a produção de cafés especiais

Três Pontas Café Emprego 1

Três Pontas tem tradição na produção de café, mas ainda faltam ações que promovam uma qualidade diferenciada

A representatividade financeira da cultura era tamanha que a Cidade passou a ser conhecida como a “Terra do Ouro Verde” até ganhar o pseudônimo de “Capital Mundial do Café”. O título acompanha a história de Três Pontas que se destaca como uma das maiores áreas plantadas em Minas. O Estado, por sua vez, é responsável por sustentar o Brasil na liderança mundial de produção e exportação de café. Segundo o Engenheiro Agrônomo da Emater-MG, escritório local, Cosme Vitor Loredo, atualmente a área cultivada em Três Pontas é de 24.400 hectares. Em produção estão 17.080 hectares. E a safra 2015/2016 estimada é de 427.000 sacas do grão. 

Os números revelam que os cafezais continuam exercendo importante papel, no entanto, apesar do cultivo ser tradição no Município, ainda faltam investimentos na produção de cafés de melhor qualidade e até especiais.

Atenta à demanda, a Cooperativa dos Cafeicultores da Zona de Três Pontas Ltda (Cocatrel) abre o departamento que estava em falta. A proposta é dar suporte e incentivar os cooperados a buscarem peculiaridade para que seus produtos caiam no gosto do consumidor e, consequentemente, garantam melhor remuneração. Já no primeiro momento, a Cooperativa aposta na montagem de um laboratório/sala de provas, com equipamentos de última geração. O ambiente será adequado para receber torradores e compradores do mundo inteiro, conforme anuncia a empresa.

Acai Cocatrel Projeto Cafés Especiais 1

Produtores aproveitam a oportunidade de ampliar conhecimentos em cafés especiais

As portas se abrem e por elas adentram produtores que, em busca de novas oportunidades, se inscreveram no Projeto Cafés Especiais, executado pela Associação Comercial e Agroindustrial (Acai) e pela Cocatrel. A ideia é criar um modelo sustentável de produção, comercialização e desenvolvimento mercadológico para cafés especiais, passando por todas as fases de manejo operacional nas áreas produtoras, incluindo a geração de receita adicional via turismo rural.

Nesta quinta-feira (21), o grupo encerrou a participação em mais um módulo do treinamento que começou em outubro. O Técnico em Cafeicultura, Gilmar Reis Cabral, veio de Boa Esperança para passar aos trespontanos ensinamentos sobre Classificação e Degustação de Café. “O produtor, na maioria das vezes, sabe produzir, porém, ainda peca em qualidade. Para alcançar os cafés especiais é preciso aplicar alguns zelos a mais; são pequenos detalhes. Aqui, os produtores começam a entender que o café é um alimento e, como tal, precisa apresentar qualidade. Entende ainda que o caminho para se chegar aos cafés especiais não é fácil, mas é possível”, comenta Cabral.

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Recepção à soma de conhecimentos recebe elogios do Técnico em Cafeicultura, Gilmar Cabral

O Técnico percebe que a turma estava animada e receptiva à soma de conhecimentos. Em relação ao tema abordado nesta semana, ele explica que muitos, entre os participantes, nunca tinham visto a prova de café. As informações, vindas em 28 horas teórico-práticas, auxiliam para que, a partir de agora, eles possam – não só questionar – mas compreender e argumentar sobre os resultados de suas lavouras, na xícara e quanto ao preço de venda. E mais, o aprendizado facilitará a compreensão dos pontos a serem melhorados em toda a cadeia produtiva.

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Para Sirlene Mesquita, capacitação permite, entre outros temas, aprender como se classifica os cafés. Processo é um dos fatores determinantes do preço de venda

A cafeicultora, Sirlene Rodrigues Mesquita Gurgel, aprova a iniciativa da Acai e Cocatrel. Ela afirma que pretende nutrir suas lavouras com as informações e já visualiza alguns resultados imediatos dentro do processo que a levará – a médio e longo prazo – à colheita especial. “Esta capacitação é abrangente e nos mostra, entre outros, as diferenças de tipo, cor e sabor do café. Nos proporciona, então, pelo conhecimento, possibilidades de melhorarmos a lavoura, a propriedade e de obtermos maiores lucros com a venda de cafés especiais”, confirma.

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Ver o que é preciso melhorar, aproveitar a oportunidade de produzir um café especial e ainda conferir o resultado de tudo isso são vantagens encontradas no treinamento, na opinião do produtor Vagner Teixeira

Vagner Teixeira Reis também integra a turma. Para ele, a melhoria contínua cabe em qualquer atividade e independe da experiência e do tamanho da propriedade produtora. Essa visão, observa, é um dos focos do treinamento. E ele tem razão. No grupo há cafeicultores tradicionais e também outros ainda muito jovens. “Esse Projeto tem dois lados. O primeiro, o de ver o que é preciso melhorar e, aí, vem a oportunidade de produzir um café especial, um café melhor para o povo tomar. O outro lado é o de poder conferir o resultado disso, inclusive, economicamente”.

No final da manhã, o Presidente da Associação Comercial, Michel Renan Simão Castro e o Gerente da instituição, Hélio de Carvalho Junior, conferiram de perto como estava o último encontro do módulo. Na oportunidade, Michel Renan, comentou que o princípio do Projeto é aprimorar os lotes de café de maneira geral. Na opinião do empresário e também cafeicultor, a mudança na rotina de colheita e de terreiro – que são os principais formadores da qualidade do grão – é um dos primeiros passos para a entrada ampla de produtos de melhor qualidade na Cooperativa. “Nossa meta é eliminar o café riado, rio, barrento. Não temos a intenção de trazer todo mundo para o segmento de cafés especiais porque trazer todos é praticamente impossível, mas é possível promovermos na prática a melhoria ampla e, assim, agregarmos valor ao produto”, disse.

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Hélio Carvalho, Cindy, Cabral, Sirlene e Michel Renan. Para o Presidente da Acai, capacitar o produtor é uma exigência do consumidor que, cada vez mais, busca degustar uma bebida nobre e que paga pelo padrão diferenciado

Especificamente sobre o tema da semana, Michel Renan defende que, quando o produtor ganha conhecimento, é capaz de entender com maior facilidade o que ocorreu lá na propriedade, gerando determinada situação detectada nas fases de classificação e degustação. É aqui que o preço de venda da saca é determinado.

Finalizando, o Presidente da Acai menciona que capacitar o produtor é uma exigência do consumidor que, cada vez mais, busca degustar uma bebida nobre e que paga pelo padrão diferenciado.

Além das aulas ministradas no Centro Vocacional Tecnológico (CVT) – Polo UaiTec de Três Pontas, o Projeto Cafés Especiais inclui palestras, dias de campo e dias de terreiro. As consultorias também estão garantidas. O conteúdo da ação piloto caminha de acordo com as necessidades apresentadas pela turma.

(Foto Página Inicial: André Rosa)

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