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Nossa Senhora do Rosário: um Quilombo que sobressaiu-se à extinção

Na tarde de sexta-feira (4), o SintonizeAqui publicou matéria informando sobre a fase final das obras de restauração interna da Igreja Nossa Senhora do Rosário, localizada na comunidade rural do Quilombo, em Três Pontas. 

Aproveitando, traz nesta segunda-feira (7) um pouco da história do povoado, transcrevendo texto da jornalista Arlene Brito, elaborado para a Revista Encantos do Sul de Minas – uma edição especial, dirigida por Sávio Martins, editada em 2016 em comemoração aos 19 anos de fundação do Clube da Casa Nova Era. Confira!

Nossa Senhora do Rosário: um Quilombo que sobressaiu-se à extinção

Do asfalto cai-se em uma estrada de terra ladeada por mata-burros, porteiras e colchetes que dão em propriedades de todas as idades, belezas e diversificadas atividades agropecuárias. Enquanto se percorrem os 16 quilômetros de solo batido, depara-se com lavouras cafeeiras predominantes, mas também é possível observar plantações de verduras até para exportação e gado solto em belas pastagens. O percurso leva ao Quilombo Nossa Senhora do Rosário, decretado Distrito de Três Pontas em 1883. No entanto, a origem deu-se entre 1740 e 1746 com a destruição do Quilombo do Ambrósio, localizado provavelmente entre os municípios de Cristais e Ibiá. Durante o ataque dos brancos, muitos negros escaparam e refugiaram-se em várias localidades, inclusive na região de Três Pontas, onde foram formados dois quilombos: o do Cascalho, próximo à serra e o Quilombo das Araras, também denominado Quebra-Pé e posteriormente Nossa Senhora do Rosário do Quilombo.

Os brancos sentiram-se ameaçados e exigiram providências do governo. Segundo o historiador Paulo Costa Campos, uma expedição punitiva partiu do Arraial dos Buenos, que se situava na freguesia das Lavras do Funil, e dividiu-se em grupos, a fim de exterminar de vez os quilombos de toda esta região. A expedição avizinhou-se às Lavras do Funil e de lá prosseguiu viagem. No dia 27 de agosto de 1760, chegou ao sertão das Três Pontas. Os expedicionários atacaram e destruíram o chamado Quilombo Queimado. A seguir, no dia 30 de setembro de 1760, fizeram uma pausa no local chamado de Boa Vista, hoje pertencente a Campos Gerais. A destruição do Quilombo foi por uma batalha entre quilombolas e capitães do mato. Depois os habitantes voltaram para o aldeamento. Na época havia 80 casas.

O historiador Paulo Costa Campos conta como surgiu o Distrito do Quilombo

Com os quilombos extintos, mais povoadores chegaram à região, requerendo sesmarias. Em 5 de outubro de 1768, foi construída por alguns sesmeiros a Capela de Nossa Senhora d’Ajuda, com a licença do Bispado de Mariana. Em torno da ermida começou a surgir o arraial, que evoluiu para tornar-se a 40ª cidade de Minas Gerais, Estado que conta atualmente com 853 municípios.

A criação do Distrito do Quilombo deu-se em  29 de janeiro de 1883, e o local passou a chamar-se Martinho Campos, homenagem prestada ao médico e respeitado político que ocupou o cargo de presidente do Conselho de Ministros, cujo imperador era Dom Pedro II. Depois a sede foi transferida para Pontalete. Em 20 de setembro de 2010, a Câmara  de Três Pontas aprovou a Emenda Modificativa à Lei Orgânica Municipal nº 018, de iniciativa do vereador Antônio Carlos de Lima, morador do Distrito, em favor do resgate e da preservação de importante parte da história de Três Pontas e de todo o Sul de Minas. A Padroeira Nossa Senhora do Rosário voltou ao nome do lugarejo.

O Quilombo possui, conforme o Censo 2010 do IBGE, 600 habitantes que contribuem para o crescimento do município ao qual pertencem principalmente através do trabalho rural. Além da igreja, construída provavelmente por volta de 1870, o Distrito conta com igreja evangélica, unidade básica de saúde, escola de ensino infantil, quadra e campo esportivos, alguns pontos comerciais, pavimentação, água, esgoto, energia elétrica e outras benfeitorias.

Do asfalto cai-se no prosseguimento daquela mesma estrada de terra. O percurso agora leva ao Pontalete, ao Córrego do Ouro, a Campos Gerais… mas esta é uma outra história.

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