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Superação – “Temos que nos tocar mais, nos amar mais e ir ao médico porque depois pode ser tarde e não ter mais volta” Câncer de Mama – sábado é dia de papo sério com as Amigas Guerreiras, no Clube da Casa Nova Era

Arlene Brito

Estamos no Outubro Rosa, movimento que estimula a participação da população no controle do câncer de mama.  De acordo com o Instituto Nacional de Câncer “José Alencar Gomes da Silva” (INCA), a doença é causada pela multiplicação de células anormais da mama, que formam um tumor. Há vários tipos de câncer de mama; alguns deles têm desenvolvimento rápido enquanto outros são mais lentos. Existe tratamento para a doença e o Ministério da Saúde oferece atendimento por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).

Seguindo a proposta do Outubro Rosa, o Clube da Casa Nova Era promove neste sábado (21) um bate papo com as “Amigas Guerreiras – Grupo de Apoio e Combate ao Câncer”, de Três Pontas. O evento tem o objetivo de “compartilhar informações sobre o câncer de mama, promovendo a conscientização sobre a doença, esclarecendo sobre serviços de diagnóstico e de tratamento e, assim, de forma bem descontraída, contribuindo para a redução da mortalidade”.

A comemoração do Outubro Rosa no Clube da Casa Nova Era vai das 8 horas ao meio dia e toda a comunidade trespontana está convidada.

Sempre atual 

Em 2016, por ocasião do 19º aniversário da empresa, também em outubro, o Clube da Casa Nova Era lançou a Revista “Encantos do Sul de Minas”. Trouxe nas páginas 48 e 49 uma entrevista emocionante com a fundadora do “Amigas Guerreiras”, Cristiane Calixto.

Hoje (20), em parceria com o Clube da Casa Nova Era, o Sintonizeaqui reproduz a reportagem. Acompanhe, aprenda, cuide-se, combata.  

Superação

“Temos que nos tocar mais, nos amar mais e ir ao médico porque depois pode ser tarde e não ter mais volta”


O Clube da Casa Nova Era faz aniversário em um mês muito especial. Outubro foi escolhido na década de 1990, nos Estados Unidos, para estimular a participação da população no controle do câncer de mama. Desde então, a data é celebrada anualmente com o objetivo de compartilhar informações e promover a conscientização sobre a importância da detecção precoce da doença.


Tipo mais comum entre as mulheres no mundo e no Brasil, depois do câncer de pele não melanoma, o câncer de mama responde por cerca de 25% dos casos novos a cada ano. Em 2016/2017, para o Brasil, são esperados 57.960 casos novos, conforme divulgado pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA). Sem considerar os tumores de pele não melanoma, esse tipo de câncer é o mais frequente nas mulheres das regiões Sudeste, Sul, Centro-Oeste e Nordeste. Na região Norte, é o segundo mais incidente.

Entrevista

Cristiane Calixto

Fundadora do Grupo Amigas Guerreiras de Apoio e Combate ao Câncer

Quando, com que idade e em quais circunstâncias você descobriu o câncer de mama?

Descobri com 33 anos, hoje tenho 39. Num domingo, cheguei de um passeio e fui para minha cama. Não tinha o hábito do autoexame, mas alguma coisa estava me incomodando na lateral do meu seio, e eu passei a mão, apalpei. Como sou massagista, tenho um tato muito sensível e aí percebi um carocinho, mas achei que era coisa da minha cabeça. No outro dia, segunda-feira, me toquei de novo e a bolinha estava lá. Era tipo um pequeno feijão, durinho. Liguei para minha ginecologista, na terça-feira peguei o pedido da ultrassonografia, fiz o exame na quinta de manhã, à tarde fui ao mastologista e na sexta tirei o nódulo, ou seja, foi de domingo a sexta-feira: corri mesmo e graças a Deus, porque meu nódulo era um carcinoma ductal infiltrante grau 4, que é o mais agressivo. O mastologista até pensou que havia contaminado fígado, pulmão e quando eu fui fazendo os exames, não deu nada. Graças a Deus descobri e corri a tempo.

Qual foi a sua reação ao receber o prognóstico e qual é a reação mais comum relatada pelas mulheres que têm apoio do Grupo?

Quando eu li o resultado da biópsia, a sensação é que abriu um buraco à minha frente e eu comecei a cair nele. Fiquei pasma e sem muita reação. É assim com a maioria. Chorei e foi meu único choro, pensei nos meus filhos, no meu marido, na minha mãe. Não pensei em mim, no que eu iria enfrentar, mas em como dar a notícia à minha família. Até passar por uma experiência dessas, a gente vê o câncer como condenação, então, pensei na minha morte. Depois veio a negação: por que comigo? O que eu fiz de errado para merecer isso? Em seguida, a aceitação: se aconteceu comigo, não posso jogar para outra pessoa ou ficar lamentando. Tenho muita fé. Rezei muito e parti para a luta.

A primeira ação de enfrentamento foi procurar o médico.

Sim, não tem que achar que é coisa imaginária. Sentiu algo, procure o médico.

A mastectomia, o esvaziamento de axila, drenagem linfática, fisioterapia fazem parte do tratamento, claro, respeitando a necessidade de cada caso. Como é psicológica e fisicamente lidar com as intervenções?

Eu fiz apenas um quadrante e não precisei esvaziar as axilas, ainda assim fiz fisioterapia do braço. O pós-tratamento tem que ser feito, é importante para a recuperação. O psicológico é afetado demais. Eu digo sempre que, diante de um câncer, a gente muda para melhor ou para pior. Conheço mulheres que entram em depressão, que ficam lamentando e isso é normal. Mas a primeira cura está na cabeça. Eu, por exemplo, continuei trabalhando porque achei importante ocupar a mente, não fiquei colocando o caso como doença e, sim, pensei: é uma fase e eu vou passar. Não é fácil não, mas temos que lutar para termos pensamento positivo.

Em relação à quimioterapia, existe um efeito pior durante esse momento do tratamento?

Cada pessoa reage de um jeito. Tem gente que não sente enjoo, e o cabelo não cai. Antigamente era um tratamento para todos, hoje não, o exame especifica qual tratamento o paciente será submetido. Na minha época de quimio, eu ficava três dias de cama, muito mal. Aconteceram dias de eu colocar edredon no banheiro e ficar por lá porque já não aguentava levantar da cama para ir ao banheiro. Meu filho tinha 11 anos e foi um anjo da guarda. Meu marido saía para trabalhar e meu filho cuidava de mim, ficava ao meu lado me apoiando. Para mim, a pior parte foram os remédios contra o enjoo porque eles me dopavam e aí sim, a sensação é que eu estava doente. A quimioterapia para mim não foi mil maravilhas, claro que não, mas passavam-se dois, três dias e eu voltava à vida normal, trabalhava, saía, passeava.

O que você transmite às mulheres vítimas do câncer de mama para lidar com a questão estética, para a retomada da autoestima?

Eu tinha um cabelo bem longo e fui cortando aos poucos. Quando começou a cair muito, começou a incomodar, então, tomei a decisão de raspar. Mas, sinceramente, não me importei. Quem estava comigo na hora chorou e eu brinquei falando para colocar a música da cena da Carolina Dieckmann, em Laços de Família (Rede Globo); elas acharam um absurdo eu dizer aquilo. Levei numa boa, mas fiquei triste quando minhas sobrancelhas caíram. Eu pensava, sem cabelo eu fico, mas sem sobrancelhas de jeito algum. Acordava cedo, desenhava as sobrancelhas. O cabelo é referência, mas temos que nos desapegar disso, ele cresce de novo. Quem não quiser assumir a careca, use um lenço bem bonito ou uma peruca, passe um batom, use maquiagem, use um perfume. Antes as pessoas se excluíam dentro de casa. Hoje não, a mulher com câncer sai mais para a rua, já não se esconde tanto. Está com a mente mais aberta. O Grupo Amigas Guerreiras faz muitas campanhas nesse sentido porque a autoestima elevada é um passo a mais para a cura.

O Grupo Amigas Guerreiras valoriza o apoio. Que influência tem o “vai dar tudo certo” vindo de familiares e amigos?

O apoio é fundamental. Eu sempre pedia: não me olhem com piedade, me deixem que eu vou superar. O que incomoda a gente é as pessoas nos olharem com olhar de dó. O apoio da família e dos amigos é muito bom, mas o apoio de mulheres que passaram ou passam pelo câncer de mama é diferente porque uma sabe exatamente o que a outra está sentindo. No Grupo a gente brinca, faz piada e, claro, damos muita força até na TPE (tensão pré-exame).  Um familiar dizer que vai dar tudo certo é uma coisa, mas isso vindo de quem já passou pela experiência de ir fazer o exame para checar se está tudo bem, que é um momento bastante tenso, tem um peso diferenciado porque essa pessoa sabe do medo, do receio.

Por experiência própria e pelos relatos que você ouve, existe algo que a mulher se apega para melhor enfrentamento da doença, além do carinho e incentivo de familiares e amigos?

Os principais são a fé e a autoestima. Independente da religião, pedir, orar traz paz.

É possível tirar alguma lição de um câncer de mama?

A gente só conhece a alegria depois que passa por uma grande tristeza. Depois que passei por isso, nunca mais reclamei de mais nada, eu não reclamo. Se algo não dá certo, tento fazer de outro jeito e nunca fico parada. Não há nada melhor na vida do que ter saúde, nada mesmo. Quando se tem saúde tudo é possível. As meninas do Grupo também pensam assim. Nós adquirimos uma outra visão de vida, de mundo. Têm pessoas que se revoltam, mas soltar-se, ajudar o outro traz força para encararmos a doença, o tratamento e para decidirmos se seremos melhores ou piores. A escolha é pessoal.

Sua mensagem de Outubro Rosa para mulheres e, claro, homens que também são acometidos pelo câncer de mama.

Os dias de hoje são muito corridos. A gente não percebe o que o corpo está dizendo. Tem câncer que não dói. Temos que parar e observar o nosso corpo. Se ficarmos nessa correria, nesse estresse quando nos depararmos com uma doença poderá ser tarde. Todo câncer descoberto no começo oferece mais de 90% de chance de cura. A gente tem que trabalhar para viver e não para morrer, temos que nos tocar mais, nos amar mais e ir ao médico porque depois pode ser tarde e não ter mais volta.

 

 

 

 

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