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Teatro do trespontano Kleber Junqueira é destruído, em BH. Petição Pública circula para reconstrução do espaço cultural

O Teatro Kleber Junqueira, abrigado por um prédio histórico da região Oeste de Belo Horizonte foi arrombado, saqueado e sofreu sérios danos. Por onde os vândalos passaram, deixaram rastos de destruição, conforme apuraram “in loco” os principais veículos de comunicação do estado de Minas Gerais. Os invasores levaram a fiação interna da edificação, destruíram os mármores dos banheiros, atearam fogo na bilheteria, cabine de luz, som e escritório, incineraram documentos, projetos de lei e matérias históricas da entidade. Somente em equipamentos, o prejuízo soma R$ 150 mil. Foram furtados, entre outros, mesa de som, caixas de som, refletores, computadores, microfones, enfim, todo o equipamento técnico necessário à execução de espetáculos, além de mobiliário.

Fundado com recursos próprios pelo trespontano Kleber Junqueira, por 15 anos o Teatro é referência para pessoas em busca de arte, cultura e lazer. O espaço, no bairro Calafate, chegou a receber 60 mil crianças/ano e teve sua importância reconhecida nos decretos de Patrimônio Imaterial da cidade de Belo Horizonte, Espaço de Utilidade Pública Municipal e Espaço de Utilidade Pública Estadual.

Ameaça 

A certeza de que o Teatro cumpriu nobremente e pode retomar com a mesma determinação e responsabilidade a missão de valorizar artistas e suas obras, de democratizar a arte, de ensinar e de entreter com qualidade é a mola que ainda impulsiona Kleber Junqueira. Segundo o diretor Administrativo Financeiro e gestor Cultural, Éder Paulo, por falta de apoio financeiro há aluguéis e outras contas atrasadas. Os débitos levaram à suspensão das atividades em 2017. A recente ação dos vândalos, destaca o diretor, agrava a delicada situação do Teatro. “Estamos tentando sensibilizar o Poder Público, buscando incansavelmente as Leis de Incentivo para conseguirmos reabrir o Teatro e evitar invasões que evidenciam o abandono”.

Éder Paulo explica que em 2004 o multiprofissional e artista cênico, Kleber Junqueira aplicou todos os seus recursos financeiros em prol de um bem coletivo, ao arrendar e transformar uma das primeiras construções da década de 1942, o antigo Cine São José, em um espaço cultural. Hoje, o fundador mal consegue expressar a dor ao ver o Teatro destruído e em vias de fechamento. A ameaça já foi, inclusive, pauta de Audiência Pública na Assembleia Legislativa de Minas (ALMG), mas, até o momento, não aconteceram aportes financeiros para a reversão do quadro.

“Para o Espetáculo ‘Marcelino Pão e Vinho’ construímos um mosteiro Franciscano de 6 m de altura com dois andares, onde as cenas acontecem simultaneamente. Um espetáculo atípico na cena mineira, devido à sua grandiosidade” (Teatro Kleber Junqueira-2013)

Petição Pública “Unidos em Prol da Reconstrução do Teatro Kleber Junqueira, Brutalmente Destruído”

Educadores, jornalistas, artistas, vereadores de BH, deputados mineiros, órgãos de Cultura municipais e estaduais, enfim, cidadãos “de bem e do bem” estão sendo convocados. Um movimento circula, via internet, com a meta de conseguir 1.000 assinaturas para reconstruir o Teatro Kleber Junqueira. A Petição Pública está em http://chng.it/zNjrMbxX

“Vamos juntos reagir a essa selvageria e recuperarmos definitivamente o Teatro Kleber Junqueira para a cidade de Belo Horizonte e o estado de Minas Gerais. Convicto da sua sensibilidade pedimos o seu valoroso apoio em prol da reconstrução, manutenção e perenidade deste emblemático equipamento cultural, de natureza imaterial, que acima de tudo é um bem coletivo que deve ser preservado e mantido por todos”, solicita o diretor.

“Doações são bem-vindas e necessárias” 

Na luta pela sobrevivência do espaço, existe a busca por parcerias na iniciativa privada, através do incentivo ao projeto de manutenção do Teatro Kleber Junqueira, aprovado na Lei Estadual de Incentivo à Cultura. Outra ação é o espetáculo histórico inédito “Tiradentes – O Homem, O Mártir, O Mito!”, que circula por escolas e municípios.

“Nosso esforço é contínuo e as doações são bem-vindas e aceitas com eterna gratidão”, comenta Éder Paulo. Quem quiser colaborar, pode destinar qualquer quantia em dinheiro, além de materiais de construção, elétricos e hidráulicos, alimentos não perecíveis e com prestação de serviços. “Desde já agradecemos, enquanto permanecemos na expectativa de sermos merecedores do apoio e solidariedade de todos. Juntos podemos fazer a diferença, escrevendo novas páginas na história do Teatro Kleber Junqueira e da cultura do estado de Minas Gerais”, assina o diretor. 

As doações em dinheiro devem ser feitas através da conta da Associação Móbile Cultural que é uma entidade sem fins lucrativos. Os dados são os seguintes: Banco do Brasil, Agência 4383-4, C/C 5243-4 – Associação Móbile Cultural – 07.002.976/0001-42.

Para demais doações, entrar em contato pelo telefone (31)  9 8855-7118 (Éder Paulo).

Acessibilidade cultural

Entre as especificidades, o Teatro Kleber Junqueira possui um palco italiano de 100 m², e capacidade para receber 484 espectadores.

Ininterruptamente, desenvolve há 15 anos o “Teatro Para Todos”, considerado o maior projeto sociocultural de formação de plateias, fomento de novos artistas, técnicos e difusão universal da cultura. São mais de 500 mil espectadores de BH e de outras 25 cidades de Minas Gerais contemplados com ingressos gratuitos para os espetáculos autorais de Kleber Junqueira.

Outra ação é a distribuição de bolsas de estudos integrais em artes cênicas, priorizando alunos da rede pública da Capital Mineira, internos de abrigos, idosos de espaços de longa permanência, pessoas com deficiência, grau de vulnerabilidade e/ou risco social. 


“O Teatro Kleber Junqueira abriga em suas paredes o berço da identidade histórica e cultural da sociedade belo-horizontina e do estado de Minas Gerais, por se tratar de exemplar ‘Art Déco’ da década de 1942, sendo uma das primeiras edificações destinadas a se tornar um dos primeiros equipamentos culturais de Belo Horizonte. Um prédio histórico da região Oeste arrombado, saqueado, brutalmente destruído, além dos sérios danos causados pelo furto de todos os equipamentos técnicos e a depredação do espaço.”


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