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Música Transformando Vidas…

Na noite da terça-feira, 25 de junho, a apresentação do violinista, o reeducando da Unidade Prisional de Varginha, Warley Lima de Andrade, acompanhado ao teclado pelo professor de Música, Elias de Brito Pereira, foi um dos marcos de uma solenidade que concluiu a oficialização do nome do presídio de Três Pontas, “Rita de Cássia da Luz”. A cerimônia levou familiares e amigos da homenageada postumamente, além de autoridades do município e de cidades vizinhas até a Câmara Municipal onde aconteceram momentos emocionantes.

O reeducando Warley Lima de Andrade e o professor de Música, Elias de Brito Pereira abrilhantando solenidade na Câmara Municipal de Três Pontas (Foto: Paulo Prado)

O comparecimento dos musicistas se tornou uma oportunidade para o SintonizeAqui contar um pouco do trabalho realizado pelo trespontano Elias de Brito Pereira no segmento musical.  Formado no Conservatório Estadual de Música “Maestro Marciliano Braga” (Varginha-MG), licenciado em Música e pós-graduado em Performance Musical pelo Grupo Unis-MG, Elias assumiu em 2012, no presídio de Varginha, o Coral Raízes do Futuro. O grupo foi criado dentro do projeto “Música no Presídio”, pelo juiz de Direito, hoje aposentado, Oilson Nunes dos Santos, com suporte  do diretor-adjunto da Unidade Prisional, Rodolfo Correia Bandeira.

Defensor do conceito de que a música é transformadora, o professor revela que ao assumir o “Música no Presídio” pensou na oportunidade que os reeducandos ganhariam. Uma chance de lavar a alma; de esquecer mesmo que momentaneamente dos acontecimentos ruins que os levaram ao cárcere; de ocupação física, mental e espiritual em substituição ao ócio da cela, enfim, uma brecha para começarem a ser vistos de uma maneira diferente e de também se aceitarem de forma diferente: como alguém capaz. O maestro pensou em ressocialização, em elevação da autoestima e, revela, em momento algum viu ou ainda vê seus alunos reeducandos como criminosos, mas, sim, como homens e mulheres com grandes possibilidades de voltarem ao meio social melhores, modificados.  “Desde o início do projeto o índice de reincidência é mínimo, então, o nosso objetivo tem gerado frutos, bons frutos”, avalia.

O regente Elias assumiu o projeto em 2012 e afirma que o índice de reincidência é mínimo: uma das provas da eficácia de iniciativas como a “Música no Presídio” (Foto: SintonizeAqui)

O Coral Raízes do Futuro é composto atualmente por 14 integrantes entre homens e mulheres. O grupo é constantemente convidado para se apresentar em Varginha e também em cidades da região. Igrejas, hospitais, instituições de ensino são alguns palcos para os musicistas, cantores, intérpretes e compositores reeducandos. Em Três Pontas, por exemplo, o Coral já levou sua arte até as escolas Presidente Tancredo Neves, Jacy Junqueira Gazola, Deputado Teodósio Bandeira e Professora Marieta Castro. Foi atração ainda em missa celebrada na Igreja Matriz Nossa Senhora Aparecida.

“Todas as vezes, após a apresentação do Coral para estudantes, um dos coralistas fala sobre a vida que levava, sobre a entrada no mundo da criminalidade e ainda sobre a vida de agora longe da família, do convívio social. Os depoimentos mostram aos jovens alunos que de fato o ‘crime não compensa’ e que seguir pelo caminho da lisura é melhor”, completa Elias.

Aplausos

Em junho do ano passado, o vereador varginhense Zacarias Piva entregou, com aval dos demais legisladores, ao Coral Raízes do Futuro, uma Moção de Aplausos. Na oportunidade, o parlamentar enfatizou que a homenagem era justa, já que o grupo se tornou referência no trabalho de ressocialização de reeducandos, sendo reconhecido nacionalmente pela dedicação do maestro Elias, da direção da Unidade Prisional e dos detentos. Também destacou a visão humana do fundador do projeto “Música no Presídio”, Dr. Oilson Santos. A honraria homenageou, além dos coralistas, o coordenador do Coral, Elias Brito, o diretor do presídio Welton Donizeti Benedito e o diretor-adjunto Rodolfo Correia Bandeira.

Moção de Aplausos – Coral Raízes do Futuro, maestro Elias e apoiadores homenageados na Câmara Municipal de Varginha

Entre as inúmeras reverências que marcam a trajetória, os integrantes já foram agraciados pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-Varginha) e o empenho do maestro Elias Brito reconhecido pelo Curso de Pedagogia 4º Período do Unis de Varginha (2015) com o prêmio “Práticas de Uma Educação Não-Formal Rubem Alves”.

Um Coral premiado!

Nestes anos de existência, o Coral Raízes do Futuro acumula diplomas, certificados e prêmios – entre eles, três vezes campeão do Festival da Canção Prisional (FestiPri), evento realizado em São Lourenço, no circuito sul-mineiro das águas. Em 2015, ganhou “Fonte da Vida” composta pelos reeducandos Taylor Garcia de Souza Tobias e Maurílio Teixeira Caixeta. Em 2016, a turma venceu com a canção “O inimigo tem asas”, de autoria das reeducandas Edlainy Fernandes Guimarães e Taciani de Barros Reis, que contaram com a ajuda do ex-detento José Roberto da Silva, na criação da letra. “Edlainy, que toca teclado, e Taciani, pianista, foram as intérpretes da música no Festival”. Já em 2018, a campeã foi “Meu corpo meu direito”, de autoria do detento Maurílio Teixeira Caixeta. Em 2019, o Raízes do Futuro se classificou em 3º lugar com a canção “Brumadinho, a história que marcou”, letra de Warley Lima de Andrade e Márcio Rodrigues.

No FestiPri, Coral do Presídio de Varginha Raízes do Futuro é tricampeão

O Canta Brasil, sediado pelo município de Caxambu (MG), também está na extensa relação de eventos nos quais o Coral da Unidade Prisional de Varginha marca presença. Já são três troféus de participação nas edições 2013, 2014 e 2017. O evento tem reconhecida expressão, reunindo feras de todo o Brasil e, neste ano, de outros países. Argentina, Bolívia, Uruguai, Paraguai, Estados Unidos e Cuba surgem entre as nações que estarão no Canta Brasil 2019 – Festival Internacional de Coros, de 14 a 18 de agosto. “Dividir o palco com tanta gente de alto nível, com profissionais do segmento é algo formidável, tem um valor imenso para os reeducandos. A troca de experiências musicais é enriquecedora, além de promover socialização”, observa o regente Elias.

Ter o reconhecimento público é motivador, mas para o maestro Elias de Brito Pereira a maior recompensa é promover a ressocialização, é ver bem de perto os detentos tomando gosto pelas artes, pela cultura e, além disso, poder mostrar à sociedade que a reeducação e a reinserção daqueles que cumprem pena privativa de liberdade são possíveis.

O Coral Raízes do Futuro tem apoio do juiz de Direito da 1ª Vara Criminal de Varginha, Tarcísio Moreira de Souza, do diretor da Unidade Prisional Welton Benedito e do diretor-adjunto, Rodolfo Bandeira. Os participantes são beneficiados com remissão de pena.

O regente Elias e coralistas – música, arte, cultura: ocupação física, mental e espiritual em substituição ao ócio da cela

Mais Coral

Em breve, o SintonizeAqui contará um pouco da história de mais um Coral, o “Sol da Terra” – da Paróquia Nossa Senhora Aparecida, de Três Pontas, outro bem-sucedido projeto musical de Elias de Brito Pereira. Aguarde!

(Demais fotos: arquivo pessoal)

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